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PROCUREI O POSSIVEL NO IMPOSSIVEL

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Escavei no calhau tesouros Confundi estrelas do mar com girassóis Moldei lata como se fosse prata Comi pão duro e sorri ao murro Bifurquei certas almas que pensei serem chama E uma vez vi Deus chegar cansado de ser Deus Falei comigo próprio como só fazem os loucos Convenci-me que tudo era possível Se não morrermos aos poucos Fui escutante de alegrias e tristezas Reinventei sombras e fugi de gente das tretas Pelo nascer da manhã inevitável Encontrei-te... Ouvi instantes de mim crescerem na lembrança A duvida era saber se encontrara a sina distante E parti como fazem as aves e os vagabundos Encontrei sois e outros mundos Em ti... Uma vezes fiquei, outras parti Dancei, cantei, voei , morri Tudo isto estando aqui E para que pudesse esquecer tudo o que é terrível Perdi-me ao longe nesta ilha de névoas Procurei o possível no impossível...

O QUE FAZES QUANDO OS TEU SONHOS SE TORNAM REALIDADE?

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Sorris...?! No odor dos sonhos passados Cantas no tremor da tarde Acendes luzeiros no céu Inventas a tua cidade Amar não tem idade Tal como a voz que nasce das águas Calem-se em mim as mágoas!!! Deixem que o orvalho resvale no silêncio Façam uma fogueira ao meu redor Deste pescador de ventos Pintor de breves momentos Deixem-me... Embriagar-me no cicio e na aura das madrugadas Cantar de boca calada Dizer palavras que foram vinho Amassar sentimentos como fossem pão Ver na incandescência do teu olhar uma verdade Nos dispersos incêndios do silencio Quando os sonhos forem uma realidade

NO VOO DO OLHAR

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Chegaste como uma profecia No canto dos deuses da madrugada Dormia meu coração, tinha a alma fechada No jardim das estações sonhei Com um lume de primavera Como andorinha feliz na chegada Senti a tua sombra entre as rosas Vi em ti as cores vibrantes das mariposas No teu corpo de rumores senti: O mar com a doçura das uvas O pão com a fragrância dos anjos Uma tela de Matisse e disse para mim: Quero subir em ondas de sussurros Voar como os anjos, sem os pés no chão Sentir o toque da tua mão Prender o meu querer apenas ao teu chegar Numa moldura de pedras e areia azul No voo do teu olhar...

HEAVEM

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Neste meu verde incansável Ás vezes perco-me de mim E percorro areais de pedra Deixando sulcos no meu peito Apenas porque sou um poeta sem jeito Por isso Quero sentar-me numa mesa de paris a escrever Lançar olhares a gente estranha Vestir-me de branco com a cor do sol Beber água num copo de cristal e não levarem a mal Benzer-me e criar um poema sem tema Sem temor Pode ser um de amor?! Não terei sede para o meu regresso Não terei medo dos dias grandes Se me quiserem ver Estarei num jardim encantado Bem ou mal-amado Nesta terra onde o sol passa de mansinho Onde os pássaros da manha fazem um escarcéu Os homens morrem e eu fico na tua espera Numa esquina azul Céu...
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DANÇAS COMIGO? Saí do mar como homem sagrado Encontrei Setembro dos pássaros brancos Nos desocultos segredos do mar Vi, desprenderem-se frutos O duro ar da saudade Vi no teu olhar verdade Voei na minha inventada cidade Pintei o rosto de arlequim Pedi a Deus que ficasses em mim E por fim... Senti um torpor da terra Lancei sonhos a santa guerra Plantei espantalhos sorridentes Travei amizade com um pássaro zombeteiro Era azul Como o teu coração Indicou-me uma porta de dois corações Ouvi música para além dela Vesti-me a rigor e fiz uma vénia ao amigo Deslumbrei-me na tua chegada Danças comigo...?